Uma vez que não existem estudos científicos rigorosos sobre a datação destas telas, é difícil dizer com exactidão a data da sua concepção. Contudo, tudo indica que estes painéis foram mandados pintar por volta do séc. XVIII, pouco depois da construção do Palacete dos Melos. São várias pinturas de têmpera sobre linho cujas temáticas representadas são os temas da época: a caça, a pesca, a música, etc..., contendo quase todas uma cercadura decorativa pintada na própria tela. Estas obras tinham como função decorar as divisões nobres viradas para a rua principal.
Esta recuperação incide em aproximadamente uma dezena e meia de pinturas. Estas encontram-se num estado de degradação bastante avançado, quase terminal. Muitos buracos de elevadas dimensões espalhados pela tela, muitas lacunas sem tinta, enormes rasgões nos cantos, ausência de camada pictórica, muito pó acumulado ao longo dos anos ao ponto de não se distinguir correctamente a representação pintada, remendos de tecido colados na parte frontal das pinturas com colas abrasivas e muitos repintes mal elaborados com tintas pouco indicadas. Os versos das telas estão repletos de detritos dos xilófagos e insectos.
Desta forma, a operação de restauro consiste essencialmente em três pontos principais:
- remoção das matérias em avançado estado de degradação;
- tratamento conservativo, injectando-se um consolidante em todas a fissuras e destacamentos da pintura, colocação de remendos e faixas de linho novo nos locais mais degradados e reforçar as fibras da tela com pequenos fios de linho nas zonas enfraquecidas;
- tratamento estético, limpeza da camada pictórica, aplicação de massas nos rasgos, buracos e lacunas, reintegração da camada pictórica, engradamento da tela num novo suporte de apoio, e aplicação de um verniz de protecção.
O projecto de recuperação destas pinturas tem a execução técnica do Dr. Pedro Espanhol, Licenciado em Artes Plásticas, e da Dra. Diana Conde, Licenciada em Artes plásticas com especialização em restauro de pintura.